O bando do baba

Eu prefiro chamar as pessoas que estão envolvidas comigo de bando, pois não perfazem um grupo ou qualquer outra coisa que indique organização. Já usar baba como palavra inicial é porque é assim que os baianos chamam a pelada. E futebol e comida fazem parte do jogo da vida. Quem primeiro aparece nesta estória é Cláudio Pereira, parceiro de tantas coisas, erudito, irônico sempre, até sobre comida escreveu, ou melhor, sobre o não-comer, faz parte do nosso grupo anarco-suicida. Luiz Mott, dispensa apresentações como intelectual, amigo querido, estamos concluindo um estudo sobre a alimentação de um prisioneiro do século XVIII. Ele guardou o documento por 30 anos, após a sua conferência no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. O seu convite para trabalharmos juntos muito me alegrou. Eneida Duarte Gaspar, médica e tantas outras coisas, minha mestra, estamos escrevendo juntos o livro sobre A comida dos baianos no século XIX. Um tira-gosto já apareceu na Afro-Ásia 48 - A comida dos baianos no sabor amargo de Vilhena - e Eneida já escreveu "A comida dos baianos segundo os médicos da Faculdade de Medicina". Vamos indo devagar, mas, chegaremos lá em 2014. Florismar Menezes Borges, uma flor no mar, foi minha primeira orientanda sobre comida na Pós-Graduação de Estudos Étnicos e Africanos (Pós-Afro), com a dissertação "Acarajé: tradição e modernidade". Fabiana Paixão Viana, orientanda desde a graduação, foi grande parceira e incentivadora para eu me envolver com alimentação. Fez a dissertação no Pós-Afro, sobre uma área de trabalhadores urbanos, denominada "Menus de trabalhadores urbanos em Salvador: o caso do Calabar da Ezequiel Pondé". Atualmente é Doutoranda em Antropologia na UFBA, com o projeto "A comida dos galegos: Salvador-Galicia". Ana Cláudia Venegeroles, nutricionista, querida amiga e profissional competente, está realizando no Doutorado em Antropologia o projeto "A comida dos chineses em Salvador". Mas, pela estadia no Peru, com o apoio do professor Humberto Rodriguez Pastor, sinólogo na área de alimentação, pensa em fazer uma comparação com Salvador. Eduardo Guimarães, profissional experimentado, professor da Universidade do Estado da Bahia, está fazendo, também sob minha orientação no Pós-Afro, um projeto sobre "A comida de quilombolas". Recebi um presente da Colômbia, uma jovem inteligente e muito séria, chamada Indira Quiroga, que está realizando uma dissertação em Antropologia sobre "A Alimentação de grupos indígenas na Colômbia". Valdinéa Sacramento, é minha orientanda no Pós-Afro, com um projeto sobre "A comida dos retornados no Benin". Infelizmente, a UFBA não gosta de futebol, sendo poucos os trabalhos, de forma geral. Porém, tenho dois parceiros de fé, Priscila Andreata, que escreveu uma dissertação sobre "A formação de jogadores de futebol na Bahia". Atualmente realizando Doutorado em Sociologia na UFBA, comparando o futebol brasileiro com o futebol inglês; e Paulo Roberto Leandro, jornalista, que escreveu uma Dissertação de Mestrado, denominada "O jornalista e o cartola: o jornalismo impresso na Bahia e sua resistência ao campo da política" e uma tese de Doutorado sobre o "BA-VI: da assistência à torcida. A metamorfose nas páginas esportivas", ambas na UFBA. "Ironia": somos todos torcedores do Vitória. No próximo ano, através da EDUFBA, lançaremos uma coleção sobre futebol na Bahia, inclusive com a republicação do meu "Gingas e Nós". Tenho apenas um orientando sobre futebol em Antropologia, Jessé Menezes, abordando na sua dissertação "Imbatíveis: a torcida organizada do Vitória". Meu interesse é incluir mais gente no bando e manter contato com estudiosos e grupos que tenham interesse em comida e futebol.

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