A HISTORIOGRAFIA DA ALIMENTAÇÃO DOS BAIANOS - Parte Final

Hoje, concluo o que conheço da bibliografia histórica sobre a alimentação da Bahia. Começo por um artigo de Wellington Castelluci Junior, Pescadores e Baleeiros: a atividade da pesca da baleia nas últimas décadas dos oitocentos. Itaparica: 1860-1888, (Afro-Ásia, 33, 2005, p. 133-168), onde ele traça um perfil histórico dos produtos advindos do cetáceo, com sua repercussões econômicas e no campo alimentar. Após, passo para um livro que não li, indicado por uma aluna Vanessa Dócio, Farinha, madeira e cabotagem: a capitania de Ilhéus no antigo sistema colonial (Ilhéus: Editus, 2011), da autoria de Marcelo Henrique Dias.
Avanete Pereira Sousa, com A Bahia no século XVII. Poder político local e atividades econômicas (São Paulo: Alameda, 2012), oferece um trabalho de alto nível, com vasta base documental. Versa sobre a constituição do poder político local, representado pela Câmara Municipal, sua conexão com os variados agentes econômicos e as reações ao controle camerário. De forma consistente, mostra a constituição do apogeu econômico e político no século XVIII da soterópolis, assim como disseca a estrutura do poder burocrático do sistema colonial. Mas, será na última parte do livro, ao abordar as atividades econômicas e o controle exercido pelo poder local, que a alimentação ganhará relevo. Controlar para arrecadar, mas também para evitar a exploração desmedida do povo, escassez ou mesmo fome. É um livro essencial para a compreensão da Bahia do século XVIII e o significado atribuído à alimentação pelo poder na colônia.
Alimentar a Cidade. Das vendedoras de rua à reforma liberal (Salvador, 1780-1860), de Richard Graham (São Paulo: Companhia das Letras, 2013), por sua importância – indicado por João Reis – ainda na sua edição em inglês, mereceu de minha parte, resenha na revista Afro-Ásia, 42 (a revista, hoje toda digitalizada, pode ser lida gratuitamente, através do site www.ceao.ufba.br). O autor elabora uma radiografia do espaço urbano de Salvador, sua demografia, estratificação social e racial; uma rica etnografia sobre os vendedores de rua e lojistas; a elite mercantil e os pequenos comerciantes; “o povo do mar”; o mercado de grãos e da carne; a guerra da Independência da Bahia sob o prisma da alimentação; o debate entre o paternalismo e o liberalismo econômico; o motim da “carne sem osso, farinha sem caroço”. Como disse na resenha, uma obra de mestre, que enriquece a historiografia baiana sobre a alimentação, abrindo novos caminhos e demonstrando o quanto ainda pode ser feito no campo da história.
A comida dos baianos no sabor amargo de Vilhena (Afro-Ásia, 48, 2013, p. 273-310), de minha autoria, é uma versão reduzida do primeiro capítulo de um livro que estou escrevendo sobre A Comida dos Baianos no Século XIX, com alguns parceiros. Tinhoso, ladino, vingativo, era o professor de grego no uso da pena. A sua obra, em três volumes, popularizada como As Cartas de Vilhena, faz uma ampla abordagem da vida na Bahia nos finais do século XVIII. E a comida era um elemento constante no olhar ferino de Vilhena.
Concluindo, eu e Luiz Mott, estamos terminando um livro sobre os cardápios de um prisioneiro, importante socialmente, no século XVIII. O denominamos A Comida na Bahia. Cardápios de um Prisioneiro Ilustre ( 1763).

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